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O novo bom profissional: como as Soft Skills passaram a protagonizar as contratações atuais

Publicado em: 09/02/2021

Habilidades comportamentais são bem-vistas nas empresas; inovação nos processos seletivos é essencial

Por Thaiany Osório, para Super Cérebro 


Se você digitar “dicas para entrevista de emprego” no Google agora, terá, em poucos segundos, mais de 11 milhões de resultados. A fórmula certa, que abrirá as portas para o trabalho dos sonhos, é buscada por muitos candidatos na hora de fazer a entrevista de emprego. Entretanto, uma inversão interessante vem acontecendo nos últimos anos. Antes as empresas focavam nas habilidade técnicas dos concorrentes; hoje, procuram candidatos que possuam habilidades socioemocionais desenvolvidas. Magazine Luiza, Nestlé e C6 Bank, para citar algumas grandes empresas, já colocaram as Soft Skills como prioridade em seus programas de seleção. 

A explicação para este fenômeno não é, de maneira nenhuma, simples. Certamente, passa por questões financeiras. Arlette Guibert, profissional de Recursos Humanos (RH) com mais de 25 anos de carreira, reforça a máxima já conhecida em seu setor: as empresas contratam pelo currículo, mas despedem pela falta de competências emocionais. Além desse desgaste, também há um preço prático que não estão mais dispostas a pagar. “Brinco sobre aquele gestor que deixa um rastro de sangue e destruição para trás”, diz, fazendo menção aos funcionários que, embora sejam tecnicamente brilhantes, falham em habilidades sociais e causam demissões em massa e processos trabalhistas às empresas. 

Outra explicação para este fenômeno é a mudança cultural ocorrida neste século, que reformulou o conceito de “bom profissional” para moldá-lo às necessidades da modernidade. Hoje as empresas buscam colaboradores criativos, inovadores, empáticos e líderes natos, capazes de acompanhar o mundo digital à sua volta. Antigamente as empresas buscavam um funcionário que pouco questionava e muito entregava. Esse pensamento se tornou obsoleto quando percebeu-se que o ser humano é um ser integral, cuja vivência afeta e afetará sua performance no trabalho.

"Vivíamos nessa dicotomia. De crachá, pessoa jurídica. Sem crachá, pessoa física”, explica Arlette, referindo-se à maneira esquizóide de pensar que existem duas pessoas dentro de uma, que atuam dissociadamente. Na vida, dias bons e dias ruins se revezam, afetando o rendimento deste profissional. Isso deve ser levado em conta ao avaliar o desempenho do colaborador. “Ainda sou um pouco cética, mas percebo que as empresas começaram a perceber que cada um é cada um. Na verdade, é quando a gente consegue tirar o melhor dessas diferentes, que temos um negócio bacana.”, conclui. 


Processos seletivos: a mágica da contratação certa

Em 25 anos de carreira, com formação em psicologia e diversas especializações no currículo, Arlette passou por empresas famosas como a Nokia, a PepsiCo e a Dell. Dentre tantos processos seletivos que tiveram sua participação, ela é enfática ao afirmar que embora a mentalidade acompanhe a modernidade, os processos seletivos ainda são antiquados. E ela não está sozinha nesta opinião. Uma pesquisa do Great Place to Work, consultoria especializada em ambientes de trabalho, aponta que a maioria das empresas se preocupa mais em estruturar processos tradicionais de RH do que em renová-los. 

Para Arlette, a mágica do recrutamento é trazer a pessoa certa para o lugar certo. Enquanto a missão do RH é fornecer as ferramentas para que isso aconteça, a dos gestores é garantir que os valores salientados nos discursos sejam percebidos na prática. Se as empresas estão buscando habilidades socioemocionais em seus funcionários, devem estar abertas às mudanças, inovar nos processos e valorizar de fato a criatividade e integridade dos seus funcionários. 

“Quando apoiamos um processo seletivo, devemos aceitar pessoas que vão complementar a equipe”, conta Arlette. Embora a tendência seja contratar pessoas iguais a si, o ideal é montar uma equipe diversa. Por isso as Soft Skills são tão importantes. Como exemplo, Arlette cita a queixa de lentidão, várias vezes ouvida de chefes em relação aos seus funcionários. “E eu sempre alerto: temos que parar de querer que as pessoas sejam todas iguais. Talvez o meu caminho seja mais rápido, e o seu mais lento, mas as paisagens são diferentes. E no final, nós dois chegaremos lá”, conclui. 


Tags: Super Cérebro Empresas , Recursos Humanos, Soft Skills, Contratações, Emprego, Processo seletivo
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