Educação

Riscos no aprendizado e abuso de tecnologia: pela 1ª vez a geração atual tem QI inferior à anterior

Publicado em: 22/12/2020

Em seu livro “A fábrica de cretinos virtuais” o neurocientista Michel Desmurget expõe o declínio do quociente de inteligência (QI) das crianças atuais em relação aos seus pais

Por Thaiany Osório, para Super Cérebro


Não é de hoje que se discute os impactos positivos e negativos da tecnologia na dinâmica escolar e familiar. Dentre tantas notícias tendenciosas e informações incompletas, o neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de Pesquisas do Instituto Nacional de Saúde da França, chamou a atenção global ao publicar o livro “A fábrica de cretinos digitais”, onde teceu preocupantes diagnósticos aos “nativos digitais”, referindo-se às crianças nascidas depois da virada do século e que, portanto, já nasceram imersas em um mundo digital. 

Em entrevista à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, o professor Desmurget explicou o “efeito Flynn”, fenômeno observado nas últimas décadas em que o quociente de inteligência (QI) aumentou de geração em geração. Pela primeira vez essa tendência começou a se reverter em diversos países, inclusive em locais estáveis política e economicamente, como Noruega, Dinamarca, Holanda, França, entre outros. 

Há diversos fatores que podem explicar essa reversão. Alguns, inclusive, são velhos conhecidos: perturbação do sono, superestimulação da atenção, sedentarismo excessivo e diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares. A diminuição do tempo dedicado com lição de casa, música, arte e leitura e o uso excessivo da tecnologia para atividades menos enriquecedoras, como redes sociais, filmes e jogos virtuais, também tem sua parcela de culpa. 

Apesar de não propor nem defender a interrupção da tecnologia e sua estigmatização, e de reconhecer seus benefícios comunicacionais e pedagógicos, o especialista faz um alerta quanto à alta exposição de tecnologia em crianças: "Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento", expõe ele. 

Cérebro humano: processo de aprendizagem socrático

Em entrevista à ECOA, plataforma da UOL destinada à publicação de iniciativas em prol de um mundo melhor, o médico e cientista brasileiro Miguel Nicolelis discursou sobre a forma como nós aprendemos. Para ele, o modo é socrático, exigindo interação e contato humano. “O peso da palavra que é transmitida depende muito do seu vínculo humano, social, emocional, com seus professores, com os alunos em volta”, explica.

Nicolelis ilustra também que o cérebro, por sua vez, adapta-se e imita o sistema digital. Entretanto, características como intuição, criatividade, inteligência, espontaneidade e empatia não são definidas por sequências de um e zero. Ao traçar um paralelo com o livro de Michel Desmurget, o paulista é tão categórico quanto: “essa imersão na lógica digital está alterando fisicamente e funcionalmente a forma do cérebro operar.” Para o paulista, que recentemente lançou o livro  "O verdadeiro criador de tudo", é necessário impormos limites às máquinas, ainda mais se quisermos formar adultos pensantes e críticos. 

Quanto ao limite ideal, embora não haja consenso entre os especialistas, sugere-se que as crianças não ultrapassem 1 hora diária de uso de tecnologia. Vale lembrar que, nos estudos apresentados por Desmurget em seu livro, descobriu-se que o tempo gasto em frente a uma tela para fins recreativos atrasa a maturação anatômica e funcional do cérebro em várias redes cognitivas relacionadas à linguagem e à atenção. 

Para evitar isso, é importantíssimo que os mais jovens sejam expostos à interações e experiências reais, pois é nessa idade que o desenvolvimento cerebral é mais intenso, garantindo a formação das funções executivas como memória, noção de volume, organização mental e também competências socioemocionais de empatia, respeito, convívio em sociedade, entre outras. Como quase tudo na vida, é uma questão de equilíbrio. O método Super Cérebro oferece sessões de capacitação cognitiva e socioemocional para crianças a partir dos 3 anos e jovens de todas as idades. Confira: supercerebro.com.br/capacitacao-cognitiva 



Tags: educação, saúde, habilidades socioemocionias, crianças, super cérebro
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